Entenda a proibição do canudo plástico

A pauta “sustentabilidade” está na mídia há algum tempo. Menos plástico, menos lixo, menos impacto ambiental. Agora, foi a vez de São Paulo aprovar a proibição do canudo plástico. Baladas, hotéis, restaurantes, lanchonetes, padarias e até salões de dança não podem mais distribuir o controverso canudinho.

Eleito o inimigo número 1 do meio ambiente, só na Starbucks Brasil são cerca de 8 milhões de canudos plásticos por dia. Nos Estados Unidos, mais de 500 milhões de canudos são jogados no lixo diariamente. Mas será que a proibição resolve o problema? Quais alternativas existem para os estabelecimentos comerciais? A discussão acaba por aqui? Vamos conversar sobre esses assuntos neste post.

 

O problema do canudo de plástico

Em 2015, um vídeo de uma tartaruga sangrando e com dor por causa de um canudo de plástico em sua narina viralizou na internet. Depois disso, vieram fotos de praias infestadas de plástico e imagens de outros animais marinhos cercados de lixo. A partir desse momento, parte do mundo declarou guerra ao canudinho.

Os dados, realmente, são assustadores. Em um relatório do Fórum Econômico Mundial, de 2016, as estatísticas apontam que até 2050 teremos mais plástico no oceano do que peixes. Por ano, são 8 milhões de toneladas de plástico sendo jogadas nos oceanos, mares e rios. É uma caçamba de lixo cheia de plástico por minuto. Como chegamos nesse ponto?

É claro que todo esse plástico não vem só dos canudinho, mas eles representam cerca de 4% de todo lixo plástico no mundo. O principal problema é que esse utensílio, aparentemente inofensivo, não é biodegradável.

O que isso significa a longo prazo? É simples: hoje você tomou um suco de laranja com canudinho no almoço. Jogou fora e seguiu a vida. Quando seus filhos nascerem, esse canudinho ainda estará lá. Seus netos? O canudo segue firme e forte. Seus bisnetos e tataranetos? Também. Um único canudo pode levar até mil anos para se decompor.

E se só na Starbucks Brasil são 8 milhões de canudos por dia, imagina a soma de todos os estabelecimentos do mundo. Se empilharmos, por exemplo, os canudos consumidos anualmente pelo brasileiro em um muro de 2,10 metros de altura seria possível dar uma volta completa na terra. Sim, teríamos um muro com mais de 45 mil quilômetros de largura.

Quando você bebe seu refrigerante com canudinho, você nem imagina os males que uma simples atitude pode trazer para o meio ambiente. Mas, enfim, esse assunto veio à tona e as pessoas estão começando a mudar seus hábitos.

 

A proibição do canudo plástico não resolve o problema

Tirar os canudinhos dos restaurantes não resolve o problema do lixo, isso é verdade. Mas ele abre portas para discussões maiores. É como a proibição das sacolas plásticas em São Paulo. Ninguém entendeu e poucos aceitaram, mas, hoje, muitas pessoas preferem usar ecobags ou caixas de papelão, diminuindo seu impacto ambiental.

Esse debate é um primeiro passo importante para que as pessoas se questionem sobre seus hábitos. Se adaptar a mudanças sempre é um processo difícil, mas esse é o início de um novo mercado, mais sustentável e mais consciente.

A proibição do canudo plástico não resolve o problema

Lugares onde o canudo plástico já é proibido

A lei, porém, não é inédita. Antes de São Paulo, outros lugares tinham tomado a decisão de banir os canudinhos plástico. No âmbito internacional, em 2018, o Mc Donald’s do Reino Unido anunciou que forneceria aos clientes apenas canudos de papel. A iniciativa é um esforço do governo local para banir os resíduos plásticos na ilha nos próximos 25 anos.

A Starbucks, que comentamos anteriormente, também pretende acabar com os canudos plásticos em todas as suas redes até 2020. A Disney é outra grande empresa que se posicionou contra os canudos, afirmando que o substituirá por alternativas sustentáveis.

Em Julho de 2018, Seattle foi a primeira grande cidade dos EUA a proibir os canudos. Na Califórnia, garçons que entregam canudos plásticos sem o cliente pedir podem ser presos e levar uma multa de até mil dólares. A coisa é séria!

No Brasil, Santos, cidade litorânea de São Paulo, e o estado do Rio de Janeiro foram pioneiros. Outras cidades onde o canudinho não é bem vindo são: Londrina, Presidente Prudente, Rondonópolis, Corumbá, Rio Grande, Imbé, Porto Alegre, Santa Maria, Ubatuba, Fernando de Noronha, Rio Grande do Norte, Montes Claros, Espírito Santo (todo estado), etc. Você pode conferir a lista completa no site Cidades Inteligentes.

 

Alternativas ao canudo plástico

Em São Paulo, em caso de descumprimento da lei, os estabelecimentos, inicialmente, serão advertidos. Na segunda, a multa é de R$1000, na terceira, o dobro e, assim, sucessivamente até a sexta autuação, que estabelece multa no valor de R$8000 e fechamento administrativo.

 

Com a proibição do canudo de plástico, as alternativas são:

  • Canudo de bambu;
  • Canudos de silicone;
  • Canudos de papel;
  • Canudos de vidro;
  • Canudos metálicos.

Ah, mas não pense que os estabelecimentos poderão embrulhar esses canudos em plástico. A lei prevê que os locais poderão fornecer canudos em papel reciclável, material comestível ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados feitos do mesmo material.

Se você está confuso com a nova lei e não sabe como fazer essa transição no seu estabelecimento, conte com a ajuda de uma consultoria em nutrição, como a Nutri Mix. Você pode aproveitar esse gancho para se posicionar como uma empresa sustentável e, assim, aumentar a rede clientes e ter um diferencial. É possível optar por materiais melhores e mais conscientes sem afetar sua rede de clientes e orçamento.

A ideia agora é criar uma nova mentalidade e os estabelecimentos devem abraçar a ideia para que esta medida dê certo. Você pode, por exemplo, trocar outras embalagens de plástico do seu comércio ou, então, vender kits “menos lixo” e ecobags. Eduque sua equipe para que ela converse com os clientes sobre a nova lei, explicando os motivos da proibição do canudo plástico. É um processo. Leva tempo, mas vale a pena.

O que você achou da proibição do canudo plástico? Concorda? Qual alternativa usará em seu estabelecimento? Se quer ter ainda mais ideias de como aplicar a sustentabilidade dentro de um estabelecimento alimentício, pode conferir este outro post.

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